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quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Homens não abandonam mulheres; meninos, sim", por Chafic

"Pode até ser que um homem de verdade se desvencilhe ou troque de parceira, mas abandonar nunca, jamais. Se abandonou a parceira, das duas uma, ou porque ainda não é homem de verdade (resolvido, maduro) ou porque regrediu à menino novamente.




Estes dias estive refletindo estatisticamente sobre as principais causas das queixas de algumas mulheres que conheci em tempos passados, muitas delas tendo se aventurado a pedir meus singelos conselhos. Não lembro de nenhuma cuja dor e lamento não tenham sido causados pelo abandono – literal ou figurado – de algum homem de suas vidas: pai, namorado, amigo, irmão, marido e até patrão, acredita?



Pois é, todas estas mulheres guerreiras, exemplos de mãe, de amiga, de profissional se martirizam por causa de homens que na verdade só se pareciam com homens, mas em suas essências ainda eram meros meninos imaturos, caçadores de pipa, em busca de colo, afeto e sexo. Cabras machos, até que um prenúncio de que uma pipa cortada nos céus está por cair sem destino certo e os fazem revelar quem realmente são: o menino que se apresentava como homem, agora larga o colo, o afeto e até a casa e vai em busca de sua pipa (seja ela qual for), sem perceber o estrago que está deixando para trás. Só mesmo menino para trocar algo tão sublime quanto o amor e a dedicação de uma mulher por uma pipa que cai desvairada do céu. Acordem colegas!



Com o fortalecimento da mulher em seus papéis sociais e a ampliação de seu raio de ação perpassando os limites da casa, das empresas, das nações, a mulher ganhou destaque por sua sutileza e inteligência associadas à sensibilidade. Enquanto isto, os homens estão se sentindo menos úteis do que eram no tempo da força bruta. A direção hidráulica e outros avanços fenomenais da engenharia moderna, em especial a informática está exigindo mais inteligência e coordenação motora fina do que força bruta e repetição por esforço de bíceps. Até a Idade Média, o homem que provia alimento comestível, agora, no Século XXI precisa prover seus dependentes com alimento emocional e afetivo, principalmente.



Até pouco tempo os homens eram vistos como o defensor e o provedor de sua família. Chegaram a criar, inclusive, o “marido de aluguel” como medida paliativa para combater a escassez de maridões, mas claro que a idéia não vingaria, pois o que as mulheres precisam não é de um idiota uniformizado trocando a carrapeta da torneira da cozinha. Elas precisam de alguém com sensibilidade compatível à velocidade e volume de informações, pensamentos e sentimentos processados por suas cabeças pensantes. Elas precisam de provimento emocional, afetivo, mais do que qualquer coisa. A mulher, de modo geral, está menos dependente, mas nunca esteve tão carente emocionalmente.



A maior lacuna da mulher moderna pode ser preenchida pelo homem gentil, acolhedor, compreensível, sincero e que a faça sentir viva, querida, amada, desejada e, sobretudo, compreendida em suas incompreensões íntimas, legítimas. Infelizmente, o grau de maturidade masculina parece demorar chegar neste patamar de produtividade afetiva. Por onde andam os don juans, perguntam elas! Os don juans estão presos e amordaçados pelo machismo. A pressão social os impedem desatar seus nós com a mesma facilidade das mulheres.



O menino que habita o adulto imaturo parece gostar tanto de sua infância que procura arrastá-la o maior tempo possível. Basta comparar o tempo que a bola de futebol e o videogame duram na vida de um homem e o tempo que as panelinhas e bonecas duram na vida de uma mulher. Não há nada de errado em ser criança, o problema nos homens está na baixa resistência emocional que têm em encarar os desafios da vida adulta, em especial, a vida a dois ou em família. Ao menor aperto o mecanismo de defesa do ego masculino entra em ação e o faz regredir a estágios anteriores mais confortáveis, fazendo-o se comportar como menino e, então, o homenzarrão corre para a casa dos pais, isto quando ainda os possui, ou se refugia na companhia dos amigos para jogar futebol (brincar de bola) e “tomar umas” (mamar) para amenizar a angústia que sofre.



Eu lamento muito esta situação de muitos colegas congêneres, mas se ao invés de bancarem ser o homem maduro que ainda não são, poderiam desenvolver melhor esta capacidade de lidar com as mulheres, em todos os sentidos. Não foi à toa que Freud afirmou haver o homem três missões durante sua vida: resolver seu complexo de Édipo; resolver sua masculinidade; e, resolver sua sexualidade.



Não é fácil muito menos impossível, eu mesmo sei disto, porém quando se alcançam estas missões, certamente se alcançará a maturidade necessária para que o menino se cale diante do homem e não cometa a estupidez de abandonar uma mulher! Como disse: Se abandonou a parceira, das duas uma, ou porque ainda não é homem de verdade (resolvido, maduro) ou porque regrediu à menino novamente.



Abraços,"



Chafic

Visite também: www.chafic.com.br

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