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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Merkabah



A corrente mística da Mercabah consistiu em uma gloriosa página da Astrologia Divina ou Hierofania. Verdadeira Ciência dos Avatares, a Tradição da Carruagem de Fogo, presente na linhagem dos Patriarcas, se mistura à Cabala tradicional fornecendo-lhe os fundamentos mais elevados, assim como aos conhecimentos budistas mais avançados. Por ser tradição e profecia, a presente matéria resgata a verdadeira imagem do profundo misticismo da Mercabah, hoje reformulada por expoentes da Nova Era, mas também revelada na sua forma e glória verdadeira através da Tradição da Cúpula de Cristal.

O misticismo da Mercabah representa uma escola esotérica judaica profundamente vinculada à Cabala. Sua fonte principal é o Zohar, embora beba das Escrituras, apócrifas ou não, como o Livro de Enoque e de Ezequiel, além de Daniel, Elias, Esdras, Salomão, Isaías e João, constituindo o cerne desta corrente de misticismo onde os seus adeptos buscavam ter uma visão da gloriosa Carruagem de Fogo de Iaweh que contém todas as formas da Criação. É uma imagem do Trono e da Glória do Criador, no qual todas as coisas estão de algum modo representadas. Naturalmente, se tratam apenas de símbolos das divinas realidades, a serem reveladas agora a todos nestes tempos finais pelo supremo Profeta do Deus Vivo, o Kalki-Avatar. Um historiador diz o seguinte: 

"A tradição mística do primeiro período rabínico era conhecida como Maaseh Mercavah, uma vez que o propósito dessa tradição consistia numa visão do trono ou carro divino (mercabah), retratada no capítulo inicial de Ezequiel. A fim de chegar à visão, o adepto precisava entrar num estado de contemplação mística e depois passar por sete estádios ou "salas" (heikhalot). Cada sala é guardada por um Anjo, que não permite a passagem de ninguém que não conheça a senha mística correta. Tais senhas são nomes tirados de meditações e feitos de combinações de letras do alfabeto hebraico. Mercavah era uma tradição esotérica só transmissível a um estudante que já tivesse conhecimentos místicos, e só podia ser ensinada a um estudante de cada vez. Conta o Talmude que quatro sábios se dirigiram, numa jornada mística, ao Paraíso, e apenas um voltou incólume da jornada." (John R. Hinnells, Dicionário das Religiões) 

De fato, a Mercabah é o carro divino no mesmo sentido de "trono" ou do "cavalo" sagrado que sustenta a força superior, assim como do Nirmanakaya budista que serve de base para a encarnação das energias cósmicas, ou seja, tudo isto representando o homem como receptáculo ou cálice para o poder superior. Segundo Blavatsky, "dizem os cabalistas que o Ser supremo, depois de ter estabelecido os dez Sephiroth (que em sua totalidade são Adam Kadmon, o Homem arquetípico ou celeste), os utilizou à título de carro ou trono para descer com ele sobre as almas dos homens." (Glossário Teosófico)

O grande personagem do ciclo literário da Mercabah é Metatron, palavra que costuma ser interpretada como "aquele que está junto ao Trono". Na angeologia cabalística, os "Tronos" representam uma das mais elevadas hierarquias angélicas, ficando atrás somente dos Serafins e dos Querubins. No Oriente Médio os tronos estão sustentados por quatro animais sagrados, da natureza dos querubin descritos em Ezequiel e São João. Na Ciência da Mercabah, esta seria uma aplicação secundária ou paralela da expressão, onde se poderia associar ao Brahma do Hinduísmo, o aspecto criador, civilizatório, manifestador ou demiúrgico de Deus. 


A expressão lembra a profecia de Jesus no sentido de ir para o Pai e retornar junto ao trono divino, fato que deve ser identificado à última encarnação de Vishnu, o Kalki Avatar, assim como à chegada do 5° Buda cósmico, Maitreya. O papel do Manu racial, Avatar de Brahma (daí ser o Avatar do Brahmanismo) é o de instituir civilizações e administrá-las através das dinastias de Adeptos, que é a Hierarquia.

O misticismo da Mercabah pertence àqueles elevados Mistérios da Totalidade, de modo que se identifica profundamente com a mais alta ciência yogue e tântrica, como formula o budismo Mahayana e Vajrayana. Trata pois das mais elevadas questões a nível do microcosmos (ou, nos termos do Zohar, do Microcoposopus), ali onde ele se identifica plenamente ao macrocosmos (ou ao Macrocoposopus), que a Cabala denomina como o Adão Kadmon feito à imagem e semelhança do Criador. Sua base é amplamente messiânica, e por isto as narrativas da filosofia da Mercabah estão associadas à questões apocalípticas e escatológicas, ssim como às formas e aos ciclos divinos. Tratemos então da verdadeira "elevação" de Metatron.

A Esfera Divina - Os Pequenos e os Grandes Palácios

As diversas hierarquias do universo situam-se em posições definidas. Cada ente apresenta o seu próprio nível de energia, que não pode ser confundido com outros níveis. Assim, cada esfera inicia seus ciclos num dado patamar, de modo que, para se alcançar a esfera divina, é preciso ascender certos graus acima das estruturas humanas. Deste modo, cada esfera "descarta" certas etapas primárias, na medida em que apenas as emprega como bases elementares, mas sem possuir identificação real com elas, da mesma forma como um músico emprega um instrumento para expressar a sua arte, sem por isto confundir o instrumento com a música em si. Pois a necessidade do instrumento pode ser até transitória diante dos efeitos universais da arte. 



Neste sentido, consideram-se "simbólicas" ou "preparatórias", desde o ponto de vista da Humanidade, a 1ª iniciação; desde o ponto de vista da Hierarquia, as duas primeiras iniciações; e desde o ponto de vista de Shambala, as três primeiras iniciações. Esta é a razão pela qual o primeiro grau é chamados de "humano", o segundo de "planetária" e o terceiro de "solar". Da mesma forma, as raças apenas são contadas como tais a partir da terceira humanidade-raiz, e os ashrams espirituais, apenas a partir da quarta etapa de manifestação racial. É neste sentido que a Filosofia da Mercabah fala dos Pequenos Hahalot ("Palácios") e dos Grandes Hahalot, referentes aos Mistérios Menores e aos Mistérios Maiores, respectivamente. 


As stupas budistas que ostentam os cinco elementos, por vezes mostram três degraus na base de tudo. Sobre a tradição dos "Três Mundos de Esforços Humanos", o Tibetano (cf. Alice A. Bailey) fala atualmente de tríade inferior e quaternário superior, tratando-se estes dos quatro elementos superiores ou, como escreveu Bailey, dos quatro "éteres solares". Na imagem do "Chenrezig-de-Mil-Braços" (reunindo todos os aspectos do Buda ou o Trikaya), vemos os "pés-de-lótus" do Senhor surgindo da terra, no esplendor da Natureza simbolizada pelos Três Mundos" elementares. Nisto, observamos não apenas planícies, águas e montanhas, como também símbolos das "três jóias" (triratna) na terra, emanando fumaça, indicando a Criação manifestada como uma base universal.



Um verdadeiro "nascimento" espiritual é alcançado no 4° grau, após o Véu do Abismo da Árvore Sefirótica. E a nova ronda mundial também inicia agora, quando a humanidade alcança a quarta iniciação; esta ronda abre um ciclo ascendente de energias cósmicas. Será a reimplantação da "raça dos deuses", pois os deuses (ou os seres iluminados) nascem onde morrem os homens: na cruz da quarta iniciação

Tanto o chackra básico tem quatro pétalas, como a primeira sephirah tem quatro divisões. Isto indica que a Iniciação: 1. Parte de uma base cosmológica estruturada; 2. Requer um contato pleno e sadio com a natureza e se dá através de uma reeducação sólida sobre as energias naturais. É este segundo nível que nos interessa nos Mistérios superiores da Mercabah, ou os Grandes Palácios. 


Em A Exteriorização da Hierarquia de Alice A. Bailey, o Tibetano diz que os Evangelhos estão tecidos por "um fio de prata e um fio de ouro". Bailey teria revelado o "fio de prata", enquanto que o "fio de ouro" seria tema de uma futura revelação. Este "fio de ouro" é a visão dos Evangelhos dentro do contexto especial da Mercabah, ou da revelação divina. Assim, se a visão corrente vê nas escrituras temas literais (deparando-se daí com paradoxos insolúveis), a visão mística vê em Jesus um iniciado que cumpriu todas as etapas do sendeiro

Para o Tibetano (cf. Bailey), o próprio Jesus tinha apenas cinco iniciações, embora o Cristo que ele encarnou tivesse outras mais. Não obstante, a Tradição não admite rigorosamente tais separações, vendo os Evangelhos como a descrição de um único Ser divino.
Assim, o nascimento na mangedoura não é apenas a 1ª iniciação, mas a 4ª, donde a estrela-guia que neste caso é o próprio iniciado (iluminado), cuja aura é vista pela Hierarquia (os Reis Magos). A cruz é uma representação do mesmo drama sob um outro aspecto. 


Na visão "áurea" da Mercabah, devemos considerar já os primeiros atos de Jesus sob a sua condição de Adepto, ou 5ª Iniciação. A estrela-guia representa aquela iluminação precoce que caracteriza as encarnações divinas, alcançadas na idade de 30 anos e após 12 anos de esforços espirituais regulares. São os 12 anos (a "infância mística") em que o "deus-menino", após desaparecer por três dias (sua "sepultura mística"), ressurge instruindo no Templo. Isto significa que Jesus era um Mestre já aos 30 anos, como acontece com todos os Avatares, ainda que não plenamente divinizado, porque se tratava de um Bodhisatwa renunciante do nirvana e que deveria passar por outros processos (como "ir para o Pai"), até surgir como um verdadeiro Messias ou um iluminado completo. Estes ciclos divinos e outros devem ser observados pelos sábios que estudam a Mercabah ou o Carro divino, que é de fato a Ciência dos Avatares

Os cabalistas da Mercabah levantaram muitos dados relativos aos processos e à natureza divina, montando um mosaico complexo que apenas pode ser totalmente desvendado pela própria divindade. Dada a vastidão, a elevação e a complexidade do tema, é natural que apenas o próprio Metatron possa revelar os verdadeiros mistérios da Mercabah, uma vez que está a eles intimamente integrado, da mesma forma como o Apocalipse diz que apenas o Cordeiro é capaz de "abrir o livro selado com de sete selos" (que é o próprio Apocalipse). 

Diz-se que existem sete níveis para cada revelação, um para cada plano de consciência, e Metatron atua no nível supremo.



 

É também neste sentido que se diz que a divindade da Mercabah "emerge de mundos desconhecidos através de 955 céus" para assentar-se no Trono da Glória. Isto se identifica às 960 pétalas do chakra coronário (o 7° centro numa visão parcial ou o 10° analisando os chakras "internos" superiores) no yoga tântrico hindu, e que é a 10ª esfera da Árvore Sefirótica, assim como as 952 mãos do Nirmanakaya (corpo de manifestação ou Personalidade) do Buda da imagem do Chenrezig-de-Mil-Braços, que são aquelas menores e mais exteriores no círculo central da imagem. As 40 mãos centrais pertencem ao Sambhogakaya (corpo de compaixão ou Alma) e as 8 mãos internas (com objetos) pertencem ao Dharmakaya (corpo de irradiação ou Espírito) do Buda.






A expressão "Glória divina" é comum nas escrituras, especialmente em Ezequiel, e costuma ser associada ao símbolos do arco-íris e da nuvem. O arco-íris é uma formação luminosa que relaciona os opostos, em termos de fogo (Sol) e água (chuva). Metatron assenta-se no sétimo Hahalot (palácio). Por isto o Arcano VII do Tarô, denominado "Carro de Deus" (Mercabah), é também chamado "o Conquistador". Um bodhisatwa possui sete iniciações em seu próprio nível, mas seu caminho começa no 4° grau e se extende ao 10° grau, sendo este o arco-íris iniciático que ele centraliza nos símbolos. Cabala e numerologia são ciências gêmeas. De modo que devemos observar o que segue:




1. O "valor secreto" de 4 é igual a 10 (ou seja, 1+2+3+4=10), significando que a potencialidade do 4 é a de gerar mais seis elementos, de modo que sua atividade conclui na décima etapa (como "prova" adicional, 4+6=10).
2. A soma dos valores dos 4 números que vão de 4 a 7 é igual a 22 (ou seja: 4+5+6+7=22), que é o dos Arcanos Maiores do Tarô (ou o das "pontes" existentes entre as faces de Metatron);
3. A soma dos valores dos 7 números que vão de 4 a 10 é igual a 49 (ou seja: 4+5+6+7+8+9+10=49), como no 7x7 (o 7 fica entre o 4 e o 10). Trata-se pois do verdadeiro "candelabro" de 7 chamas descrito por Zacarias e João. 




Tudo isto induz a um conhecimento superior, verdadeira Ciência das Grandezas que constitui tema para as mais elevadas abstrações.

A "Ciência do Trono"

Existe toda uma Ciência de Tempo-e-Lugar (e a palavra "horo-scopo" remete a esta dualidade) relacionada às circunstâncias em que o Senhor depõe os seus "pés de lótus" na Terra. Os "pés" de Deus são o Nirmanakaya, ou seja, a Encarnação divina (em sânscrito, Avatar), que representa tão somente o aspecto mais básico e inferior da Divindade, a soma de suas energias mais densas e a face calejada de sua glória. Como disse Krishna, "se Eu manifestasse toda a minha glória e poder diante dos homens, eles sucumbiriam ante o Meu esplendor." O fato é que o Nirmanakaya é uma poderosa "represa" de energias, na pesada cruz que o Bodhisatwa carrega pela expiação geral que realiza. Osíris é um "deus negro" (glória oculta) porque pena pelos homens e porque sua energia é sutil. Apenas se pode olhar o Sol de relance, e uma das melhores formas para isto é através da Ciência da Mercabah


Podemos definir a Filosofia da Mercabah como a "Ciência do Trono". Suas revelações ensinam sobre as coisas de Deus, e todo o sábio verdadeiro deve se deleitar em conhecer as sublimes verdades do Senhor. Tal conhecimento pode apresentar muita utilidade e vários níveis de aplicação. 



Num dado nível, estes elementos pertencentes à Tradição de Sabedoria devem ser conhecidos, a fim de se compreender o universo de uma verdadeira revelação divina e a partir disto se poder edificar uma cultura superior

Os "Três Reis-Magos" dos Evangelhos foram sábios de Tradição que, orientados por suas Ciências Sagradas, foram capazes de identificar a divindade na sua chegada. No mesmo sentido, é dito que um grande sábio realizou a identificação do Buda no seu nascimento. Estes "nascimentos" devem ser entendidos, antes de tudo, em termos simbólicos ou espirituais, embora o conjunto dos sinais físicos do Nirmanakaya também devam ser considerados numa identificação hierárquica. Mas a tradição tibetana dos tulkus representa apenas um pálido reflexo destas realidades, minadas por superstições. Os "32 sinais de um Buda" são elementos semelhantes e permitiriam identificar com segurança e integridade uma Encarnação divina, sendo porém muitos deles igualmente simbólicos. Esta tradição advém do Hinduísmo, onde trata dos sinais do imperador universal que "move a roda do Dharma" ou Chakravartin, reforçando a natureza política da suprema manifestação divina. 




Por tudo isto a filosofia, a simbologia e a métrica sagrada da Mercabah podem ser também designadas como a Ciência dos Tulkus, das Encarnações divinas ou dos Avatares. Segundo um Midrash, a divindade diria o seguinte aos doutores da Torá no Dia do Juízo: "Meu filho, se estudaste o Talmud, porque não estudaste também a Mercabah, e não percebeste o meu esplendor? Porque nenhum dos prazeres que tenho em Minha Criação iguala ao que me é dado quando os sábios assentam-se para estudar o Torá e, vendo para além dela, contemplam e observam, e meditam estas questões: Como é o trono da Minha glória, de que servem seus pés; como é o Hashmal (visto por Ezequiel); quantas expressões ele emprega em uma hora, e de que lado ele serve; como é o raio celestial; quantas faces radiantes são visíveis por entre seus ombros; e mais que tudo isto: a corrente de fogo sob o trono da Minha glória que é redonda como uma pedra feita de tijolos; quantas pontes se estendem sobre ela, de quanto é a distância entre uma ponte e a seguinte, e se eu a cruzo, por qual ponte passo eu; por qual ponte passam os Ofanim (uma classe de anjos), e qual os Galgalim (outra classe); e mais do que isso, como sou eu, das unhas dos Meus pés à risca do Meu cabelo; quanto mede o Meu palmo, e quanto medem Meus artelhos. Mais do que isto tudo: como permanece o trono da Minha glória, e que lado ele serve a cada dia da semana? E não é esta a Minha grandeza, não é esta Minha glória e a Minha beleza, que meus filhos conhecem Meu esplendor por estas medidas?' E disto disse Davi: Ó Senhor, quão imensas são Tuas obras." (citado em A Mística Judaica, de Gershon Scholem, pg. 72, Ed. Perspectiva, SP, 1972) 

Os ítens citados neste Midrash podem ser interpretados nos termos das práticas cabalistas da Árvore Sefirótica. Existem quatro árvores, uma para cada mundo, de modo que cada um vai até onde lhe cabe. O Trono mencionado é o esquema geral das Esferas que serve de evolução para o microcosmos, a Árvore Sefirótica é o próprio Bodhisatwa. O templo de Ezequiel é uma cosmografia e uma mandala na qual São João se inspirou; suas quatro portas e rios reproduzem a imagem do paraíso, e dizem respeito às divisões da Árvore da Vida (ou a Árvore Sefirótica). O "raio celestial" é o Caminho-do-Raio (ou o "Pilar Central") da Árvore Sefirótica. A imagem das muitas "faces radiantes visíveis por entre seus ombros" (Metatron é o "Anjo das Faces", pois sua natureza ostenta todas as facetas divinas), podem ser vistas nas 11 cabeças de Chenrezig de Mil-Braços, que corresponde às 11 esferas da Árvore Sefirótica (onde Daath é Yama, Senhor da Morte). A "glória redonda como uma pedra feita de tijolos" está representada na aura magnífica dos Budas. As pontes que unem os setores da faces são os 32 Caminhos de Sabedoria (como os 32 sinais do Buda), associados aos 10 Sephirot e aos 22 Arcanos Maiores do Tarô (a Torá é o contrário de Tarô, pois enquanto uma trata das leis manifestadas e do templo externo, a outra trata das leis ocultas e do templo interno). Ofanim e Galgalim representam energias associadas aos pilares opostos de Rigôr (lunar) e Brandura (solar) –o Livro de Enoque é pródigo em angeologia, pois o Cristo é o "senhor dos homens, dos anjos e dos mestres".





As várias medidas do corpo e dos palmos representam ciclos astrológicos em harmonia e unidade. As medidas da Jerusalém celeste-Vaikuntha são 12x12, e no Zohar as 13 partes do Microcoposopus e as 13 partes do Macrocoposopus mostram bem a correlação entre os ciclos complementares, reafirmando o princípio hermético de que "assim como é em cima é em baixo". Isto é semelhante aos dois níveis da Cidade sagrada do Apocalipse, o das portas (com nomes das 12 tribos) e o dos alicerces (com nomes dos 12 apóstolos). Temos aqui uma poderosa indicação zodiacal, especialmente onde diz que "no meio da praça... há árvores da vida que frutificam doze vezes, dando frutos a cada mês." (Apocalipse, 22, 2 ss.). Em Marcos 14, 13-15 existe a descrição do local da Santa Ceia alusivo a uma casa de dois pisos que evoca os dois ciclos do Zodíaco, manvantara e pralaya (ou samsara e nirvana, referente às duas auras dos Budas): "Um homem levando uma bilha d'água virá ao vosso encontro. Ele vos mostrará no andar superior (de uma casa) uma grande sala arrumada com almofadas. Prepara ali a Páscoa para nós." No mesmo sentido, as esferas astrais regem os dias da semana, de modo que cada face do Microcoposopus olha para um dia diferente.




O texto do Midrash sugere que este estudo apresenta um valor superlativo aos olhos de Deus. Questionaria, talvez, alguém que, por sua "elevação", tal saber não oferece maior aspectos prático à humanidade. No entanto, o homem necessita conhecer Deus e, de resto, em algum nível este conhecimento lhe beneficiará diretamente. Isto não apenas engrandece o homem e a humanidade, auxiliando na consumação dos planos individuais e coletivos, como também fornece um saber essencial diante das perspectivas escatológicas. É preciso conhecer a divindade para se poder identificar e reconhecer a verdade em seus tantos matizes. Nem todos poderão ter um contato direto com Deus na sua encarnação, mas poderão estudar os registros de Sua chegada e a natureza de seus processos e ciclos, alcançando assim maior certeza na hora de acolher as suas doutrinas. Com os registros legados pelos místicos da Mercabah, podemos conhecer melhor a personalidade do Messias. 

Enfim, é importante conhecer este Plano de Totalidade, porque de algum modo estamos todos inseridos nele, se temos algo a ver com o dharma. O verdadeiro servidor –aquele que tem humildade e é sincero no seu amor aos senhores– não se importa com as limitações de seus direitos porque compreende os seus limites pessoais e conhece o seu papel, sem ilusões. Os serviçais podem conhecer a mansão dos senhores, mesmo não indo dormir nos aposentos divinos e nem usufruir de todo de suas amplas salas, mas apenas para realizar os seus serviços de cozinha, limpeza e ordenamento, e de relance aurir do raro privilégio da atmosfera de Glória e vislumbrar, vez por outras as mais elevadas questões. 

O bom servidor é aquele que se interessa pelo seu serviço e trata de fazer a sua parte sabendo da importância para o bom andamento das coisas –este é o caminho para ele ser recompensado e até promovido. No mesmo sentido, recebe a iniciação aquele que sabe cuidar os bens que recebe -sejam físicos, emocionais ou mentais–; aquele que é econômico, higiênico, organizado e criativo, mesmo que estes bens não sejam em princípio dele, posto que a rigor muitas coisas não nos pertencem, mas somos dela administradores. O cuidado em zelar por aquilo que se recebe demonstra se poder receber mais, e deste modo se termina por usufruir de muita coisa e até de possuí-las cada vez mais, se for o caso. Naturalmente, é preciso sentido de hierarquia para alcançar isto, e perceber que, agindo assim, estamos servindo àqueles que também se comportaram deste modo até chegar àquilo que são hoje. É claro que uma mansão necessita de vários empregados; ao menos de cozinheira, faxineira, jardineiro e um caseiro-geral (ou "mor-domo"). Nem todos necessitam conhecer toda a casa, mas, dependendo da função, isto será mais ou menos necessário. As funções podem até evoluir; mas o certo é que a ampliação dos direitos segue com o bom cumprimento dos deveres. 


O conhecimento sagrado também possui a amplitude de uma grande mansão, com tarefas nos seus vários setores. Existem muitas portas de entrada para o templo, algumas mais próximas e outras mais distantes do altar. Todas elas têm a sua utilidade, e nem sempre aquele que abre uma porta mais distante é realmente o último a chegar até o altar: muito depende de como cada um caminha.
Conhecer a doutrina da Mercabah é como conhecer a verdadeira intimidade do Messias, e é uma forma de penetrar nos mistérios divinos. Podemos observar que o Budismo também contempla doutrinas esotéricas. A palavra "budismo" pode ser entendida de muitas formas; uma delas é a busca da iluminação (buddhi), e outra é o estudo da natureza dos Budas (ou seja, uma budologia, tal como os ocidentais também desenvolvem a sua cristologia).





No Apocalipose vemos como o Anjo mede o templo e a cidade divina com "medida humana" (Ap 11,1 e 21,15-17). Tratam-se de ciclos empregados na Mercabah e na Jerusalém celeste ou Vaikuntha. Os número 12 e 42 são os mais presentes, e na sua Enciclopédia Astrológica, Nicholas Devore menciona as "144 polaridades existentes entre o Sol e a Lua, cuja importância destacara Alan Leo" (pg. 48., Ed. Kier, Bs. Aires, 1981). 



Mais que a questões literais, as "medidas de Deus" estão associadas aos ciclos divinos, seja dinamicamente através de suas iniciações, seja estaticamente através de seus horóscopos –os "sinais no céu" que revelam o Avatar. Assim, uma forma de observar o padrão-Mercabah no microcosmos é, à parte as iniciações tomadas de forma regular em consonância com o macrocosmos, através do horóscopo natal, que é um dado "natural" incluído na conjuntura sagrada: Metatron ou Maitreya nasce no exato momento em que os ciclos cósmicos encerram juntos para recomeçarem, expressando o máximo de harmonia nesta conjuntura; ele é a própria encarnação da síntese cósmica, e isto está refletido no seu horóscopo repleto de harmonia e unidade, simbolizando todos os novos dharmas (ver matérias sobre Astrologia Divina nas edições anteriores da Revista Órion, contendo inclusive a análise detalhada deste horóscopo na 8ª edição, assim como sobre o paraíso de Vaikuntha). 


Assim, é natural que os sábios devam conhecer coisas tão importantes como:
– Quem é Ele e quais os signos proféticos que O anunciam na sua Vinda.
– Quando Ele deve se manifestar na Terra a fim de revelar toda a sua glória e esplendor.
– Onde ou em qual região em especial Ele realizará a Sua missão.
– Como ou sob que forma Ele ele se manifestará aos olhos dos homens, quais energias Ele revelará e quantas Iniciações trará em sua suprema manifestação.
– Porque Ele surgirá nestas circunstâncias e com qual finalidade específica. 


A estas questões –quem, quando, onde, como e por quê– denomina-se As Cinco Perguntas Perfeitas, porque suas respostas –que podem ser dadas através das Quatro Ciências Sagradas de Agartha– fornecem tudo aquilo que se necessita saber sobre algo.





Para as questões avatáricas, mais algumas destas respostas podem ser encontradas na obra Maitreya – a Luz do Novo Mundo, de Luís A. W. Salvi.

A Visão dos Profetas

 

Diferentes profetas e videntes deram suas contribuições a distintas visões na construção da filosofia da Mercabah. Porém todas elas se complementam e revelam uma unidade enriquecedora e coerente. Comparemos duas das principais fontes, Ezequiel e Enoque. 

Em Ezequiel (1, 4-28), a Mercabah é vista como um carro de vidro e fogo, tendo como "rodas" quatro seres vivos associados aos Signos fixos do Zodíaco, os querubin, destacado-se luzes, cores, movimentos e brilhos metálicos, além de uma presença como que humana e que seria Metatron. Esta descrição apresenta muitos pontos em comum com as montanhas de fogo coriscante das visões de Enoque (Capítulos L, XXVII e XXIII): 


"... fui levado por um turbilhão e carregado para o ocidente. Lá meus olhos perceberam os segredos do céu e os da terra, u'a montanha de ferro, u'a montanha de bronze, u'a montanha de prata, u'a montanha de ouro, u'a montanha de metal líquido e finalmente u'a montanha de chumbo. E interroguei ao anjo que estava comigo e disse-lhe: - Que significam essas coisas que acabo de ver? E o anjo respondeu-me: –Todas as coisas que viste referem-se ao império do Messias e são uns símbolos de seu reino e de sua potência na terra. ...voltei-me para o sul. Lá queimavam, dia e noite, seis montanhas de pedras preciosas, três do lado do oriente, três do lado do sul. Aquelas do lado do oriente se compunham de pedras de diferentes cores; pérolas e antimônio. As do sul eram de pedras vermelhas. Seu pico se elevava até o céu, como o trono de Deus e era de alabrastro e em sua parte superior de safira. Vi também o fogo ardente que queimava sobre as montanhas. ...vi u'a montanha de fogo queimando dia e noite. Assim que me aproximei dela, percebi sete montanhas brilhantes, sendo uma distinta da outra. As pedras de que eram formadas eram belas e cintilantes, brilhavam e coruscavam à vista, e sua superfície era polida. Havia três no oriente e eram tanto mais inamovíveis por estarem uma sobre a outra, e três ao sul, sendo igualmente inamovíveis. Havia também profundos vales, mas separados uns dos outros. No meio se elevava a sétima montanha e todas essas montanhas apareciam ao longe como tronos magestosos e eram coroadas por árvores odoríferas. Perguntei ao arcanjo Miguel o que significavam e ele me disse: – Esta montanha que vês e cuja cabeça levantada iguala em altura ao trono do senhor, será o local em que descansará o Senhor de santidade e de glória, o Rei eterno, que virá e descerá para visitar a terra em sua bondade." 


Observamos que neste texto as "montanhas" são inicialmente apresentadas em número de seis, e logo de sete. Tratam-se de visões distintas e de interpretações particulares. Tais montanhas são, na verdade, formas piramidais, e nisto temos os novos padrões desta simbologia central de toda a cultura sagrada. A expressão "reino do Messias" da explicação da visão, confere também uma dimensão de mesocosmos. Neste caso, as pirâmides surgem como símbolos raciais, posto que estamos abrindo a Sexta-raça-Raiz -são as "potências" do Messias, forças elementares expressas através das Raças sagradas. De fato, as montanhas reluzentes vistas por Enoque, constituem a imagem da Pirâmide divina da Cúpula de Cristal atrelada sobre as quatro novas pirâmides raciais, cada qual com seu metal peculiar. A cúpula cristalina da visão de Ezequiel é também uma pirâmide, assim como os quatro seres vivos (que a rigôr reproduzem as formas das esfinges), tal como demonstram hoje as novas grandes Tradições de Sabedoria da Cúpula de Cristal, a nível de Hierarquia, e Tetralucis, a nível de Humanidade. 


Com efeito, as quatro tríades da Árvore da Vida formam uma pirâmide, havendo quatro Árvores associadas aos Quatro Mundos ou Emanações da Cabala: Briah, Yetzirah, Aziah e Atziluth. Por isto, existem quatro décades de naipes nos Arcanos Menores do Tarô (paus, copa, ouro e espada). São estas as Árvores do Paraíso que Enoch vê junto ao Trono e no seu entorno, assim como as quatro Pirâmides da base do Trono, que é em si o Grande Protótipo e a Quintessência, relacionando-se, por sua vez, aos Arcanos Maiores.
O carro de cristal da visão é Maha-Vishnu, o Chenrezig de Mil-Braços, a Árvore da Vida ou o Corpo Causal que os alquimistas denominam Vitríolo, os budistas Vajrakaya (Corpo Adamantino), os cristãos Corpo crístico. A Pirâmide da Cúpula de Cristal, em especial, é a visão da totalidade do mundo de Deus, ou seja, do trono e da glória divina que todos os grandes profetas buscaram e que agora é revelada ao mundo no final dos tempos. 


A Difusão da Luz, na Idade do Espírito Santo

Muitas profecias afirmam que o conhecimento-total será revelado no final deste mundo, e a filosofia do Mercabah confirma isto. Em As Grandes Correntes da Mística Judaica (Cap. 2), Gershom Scholem confirma:
"Segundo os místicos da corrente da Mercabah, aquilo que hoje pertence ao domínio do saber secreto será do conhecimento universal na era messiânica. O Trono e a Glória que nele repousam 'serão revelados então a todos os habitantes do mundo'". (cf. o Midrasch Takhuna)



Este fato se deve, de um lado, à Idade do Espírito Santo, onde o fator-conhecimento adquire uma importância especial, mas também à chegada do novo ciclo cósmico -a 5ª Ronda planetária-, aberto por Maitreya-Metatron, cuja natureza será precisamente a Revelação. Isto implica, também, numa expressão de suma autoridade, como demonstra O Livro de Enoque (Caps. 47 e 49):
"Nesses dias, o Eleito sentar-se-á no seu Trono, e todos os segredos da sabedoria e da inteligência escapar-se-ão de sua boca; pois o Senhor dos espíritos dotou-o de uma glória eterna. A Sabedoria se escoa como água e a glória diante dele é inefável pelos séculos dos séculos, pois ele é poderoso em todos os mistérios da justiça. Com ele habita o espírito da sabedoria e da inteligência, o espírito do saber e da potência, o espírito daqueles que dormem na justiça; ele julga e discerne as coisas mais ocultas. Ninguém pode pronunciar um único nome diante dele, pois o Eleito está diante da face do senhor dos espíritos, segundo sua vontade."

 
Vivemos numa época de muitos profetas, falsos ou não, cabendo, porém, ainda a chegada do Mestre dos mestres. Nestes momentos torna-se imprescindível a presença de uma autoridade absoluta perante a qual já ninguém possa arguir ou debater, porque ela a tudo conhece, ilumina e abrange, harmonizando e purificando as coisas. É a única forma de ordenar a Babel hoje existente e unificar o mundo, formulando um saber realmente fecundo e universal. A autoridade espiritual e moral é necessária para organizar o mundo e restituir a face sagrada da vida. E uma das bases desta revelação divina está na doutrina da Mercabah, especialmente na forma da nova tradição da Cúpula de Cristal entrevista pelos profetas de Deus.

Portal Arco Íris e Centro de Cura Cósmica

Por Sandra Amaral

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E aí, gente, o que acharam? Ah, habilitei para anônimos de novo, então, favor, manter o nível!!

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