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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A ARMA (PARTE I) (Autor: Antonio Brás Constante)

O primeiro tiro atingiu seu peito. Atravessando a roupa e penetrando em seu corpo. Não houve dor. Ele apenas passou a sentir uma leve ardência onde foi atingido. Logo após ouvir o som do estampido seco saído do revólver, nada mais pareceu real ou fez sentido.
O segundo tiro perfurou seu estômago, e o terceiro pegou de raspão em seu braço. Aos poucos a consciência foi lhe abandonando. A visão foi embaralhando, porém, o resto dos sentidos pareceu se aguçar. Pôde perceber o gosto acre de sangue subindo pela sua garganta, invadindo a boca e escorrendo pelo queixo. O cheiro de pólvora chegando forte em suas narinas.
Cambaleou como uma marionete que tem as cordas cortadas, despencando no chão. Deu alguns passos em direção a rua até finalmente cair no gramado. Antes de perder totalmente os sentidos, ainda conseguiu apoiar o corpo com uma das mãos. O toque de seus dedos sobre grama fria foi a ultima coisa que sentiu.
Um derradeiro gemido escapou de seus lábios, pronunciando que o último sopro de vida finalmente se esvaiu de seu corpo. O cadáver imóvel ficou esticado como um tapete próximo à porta de sua residência.
Naquele momento um vulto passa pelo homem sem vida. O autor dos disparos foge da cena de morte, tentando escapar da impunidade. Ele leva consigo a arma. Coadjuvante do crime. Comprada pelo defunto para servir de proteção contra criminosos.
O que havia iniciado como um arrombamento a uma residência transformara-se em um crime cruel, graças à presença daquele revólver. O falecido, dono da casa, ao adquirir aquela peça de armamento, jamais imaginaria que ela seria o arauto de sua morte.
Se ele não possuísse aquela arma, ainda estaria vivo. O bandido até então desarmado teria fugido com o barulho de sua chegada, ao invés de ter investido contra ele por estar armado.
Graças à atitude do atual cadáver, mais um criminoso se armou, passando a fazer novas vítimas por seu ignóbil caminho. Mas para aquele indivíduo, que ansiava por segurança, isto não importava mais. O revólver que ele comprou finalmente lhe trouxe a paz que procurava, de uma forma que ele nunca poderia esperar encontrar.
NOVA NOTA DO AUTOR: Produzi um filme no Youtube (escrito, dirigido e encenado por este eterno aprendiz de escritor), se quiser assistir ao filme e quem sabe dar boas risadas, basta acessar o Youtube e procurar por: “3D – Hoje é seu aniversário” (o filme foi feito em padrão 3D). Quem quiser também pode me pedir uma cópia em PDF do meu livro: “Hoje é seu aniversário – PREPARE-SE”, disponível pela editora AGE (www.editoraage.com.br), ou para fazer parte de minha lista de leitores, que recebem semanalmente meus textos, para isso basta enviar um e-mail para: abrasc@terra.com.br .
Site: recantodasletras.uol.com.br/autores/abrasc
ULTIMA DICA: Divulgue este texto aos seus amigos (vale tudo, o blog da titia, o Orkut do cunhado, o MSN do vizinho, o importante é espalhar cada texto como sementes ao vento). Mas, caso não goste, tenha o prazer de divulgá-lo aos seus inimigos (entenda-se como inimigo, todo e qualquer desafeto ou chato que por ventura faça parte de um pedaço de sua vida ou tente fazer sua vida em pedaços).
 

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