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sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Sagrado Masculino

Uma nova identidade masculina

Craig Gibsone - 16/04/2006




Compreendi que quando a força do homem é distorcida pelas expectativas sociais de sucesso narcisista, de dominação da natureza, das crianças, do feminino, toda sua vida se desequilibra. O lado machão pode ser usado como um processo de amor,revertendo a trajetória de violência e destruição. A tarefa psicológica do homem atual é lidar com a força masculina bruta, localizada nos 3 primeiros chacras, sem bloqueá-la ou rejeitá-la e nem tampouco deixá-la tomar conta de sua consciência, assim será capaz de se relacionar por inteiro com os demais sem perder a sensibilidade.

Creio que uma característica marcante do novo modelo é a vontade de partilhar os sentimentos mais íntimos, de se abrir com outros homens, com a mulher, filhos, família. Estou disposto a partilhar os meus segredos, pois como disse Jung, nossos segredos são a causa de nossas doenças. Ao expor minhas fraquezas, espero que me vejam como ser humano, e se animem a contar suas histórias e assim começamos a compreender uns aos outros.

O Guerreiro do Coração, gasta sua energia partilhando seus sentimentos em vez de lutar contra eles ou escondê-los. É a capacidade de dizer claramente:"não aceito o modelo que me foi imposto, quero estabelecer um relacionamento novo , e intimo, de abertura e confiança, e vou buscar as pessoas que tambem sintam e pensam assim." Este é meu guerreiro, esta é a minha identidade masculina. Nós homens, estamos destruindo a camada de ozônio, que é o sistema imunológico da Terra. O que estamos fazendo com o corpo da Terra é o mesmo que o câncer e a Aids fazem com nossos corpos. Temos que começar a conectar nosso coração com o dos outros homens, para podermos enxergar a partir do coração e cuidar de nós e do mundo a nossa volta.

Em todos os rituais indígenas, alguns bastante severos, o jovem guerreiro tem que passar por diversas experiências interiores, até chegar ao ponto que encara o próprio medo de morrer - o medo da morte física. Ele vivencia sua morte e então o ego se defende, tenta controlar a situação. Um grupo de anciãos e homens experientes o ajudam a passar por esse processo de morte, por essa projeção do eu que se apega a idéia "sou um homem, sou mas poderoso que qualquer coisa ao meu redor". O individuo então vê como é insignificante sua identidade do ponto de vista do macrocosmo. O importante é que essa morte seja cercada pelo amor dos outros, para sair da experiência sem se sentir um fraco. A partir dai voce começa a se sentir mais receptivo, mais humilde, mais aberto.

Nos rituais em grupo, após determinado momento, percebemos que entramos em estados alterados de conciência, podemos vivenciar um ao outro em mais profundidade e perceber melhor o nosso coletivo. É importante os homens perceberem o poder que criam em grupo. Um poder que em geral é usado para destruir, através de conflitos, guerras e até religião. Sentir e ver que esse poder é um estado, um local de AMOR, de intimidade, faz parte do novo homem.

Nota: (Guerreiro do Coração - Uma nova Identidade Masculina
Texto de Craig Gibsone, diretor da Fundação Findhorn da Escócia.)

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