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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A menina no sótão

Os olhos negros aveludados espreitam a vida lá fora.
Ela já não se lembra quanto tempo vive ali
As folhas caíram, as águas desabaram
De repente, muitas flores floresceram
Até ficarem secas de pouca chuva

Nesse tempo todo, a menina olhava e calava
Sua voz não se ouve mais
Seus sorrisos não desabrocham mais
Seu olhar está embaciado

Anoitece
Amanhece outra vez
E outra vez

Ela sente mãos lhe tocando sem afeto
Quando se lembram de limpar-lhe
Trocam sua roupa
Lavam sua roupa
Às vezes, alguém brinca com ela
Alguém bem parecido, bem maior
Depois a coloca de lado
Esquecida
Dias a fio

Uma escuridão mais negra que a noite
Um barulho ensurdecedor
Até a menina consegue escutar o som
Uma voz de lamento

Na verdade, um rugido
Um rugido de tábuas cedendo
Um calor como o mais quente dos verões ali passados
Tudo caí à sua volta

Fogo, fogo, fogo
A menina vê todos os que a limpavam e trocavam sua roupa
Correndo, gritando

Ela vê outra menina, igual a ela, porém maior
Deitada, os olhos vidrados para o céu
Prantos e lamentos

Todos lamentam a menina
Todos ignoram a menina do sótão
Pois ela foi apenas uma boneca que se queimou num incêndio


ESTA POESIA MINHA, DEVIDAMENTE REGISTRADA

Um comentário:

E aí, gente, o que acharam? Ah, habilitei para anônimos de novo, então, favor, manter o nível!!

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